Coluna Científica

Compreendendo a gestação

Autora: Marcia Léon.

 

“A partir de que momento a alma se une ao corpo?”¹

Essa pergunta, realizada por Allan Kardec aos Espíritos da Codificação, apresentada como a questão 344 de O livro dos espíritos, traz-nos um ensinamento extremamente relevante na resposta dos Benfeitores:

A união começa na concepção, mas só se completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais vai se apertando até o instante em que a criança vê a luz. O grito, que se escapa, então, da criança, anuncia que ela se encontra no mundo dos vivos e dos servos de Deus.

Sendo assim, podemos concluir que a gestação é um período delimitado por quarenta semanas, em média, na espécie humana, desde a fecundação até o nascimento do indivíduo. É o período em que a célula-ovo, também conhecida por zigoto, multiplica-se, em vários grupamentos celulares diferenciados, sendo que cada grupamento diferencia-se nos mais variados órgãos constituintes do corpo humano; tudo isso se processando de forma harmônica e gradativa.

A embriogênese determina a fase do embrião, que se faz por meio de um crescimento acelerado no quantitativo de células, e também em seu qualitativo, desde a fecundação até a oitava semana de gestação. A partir da nona semana de gestação, temos o corpo fetal, e o seu crescimento e a sua diferenciação perduram até o nascimento. São períodos diferentes do processo gestacional, mas que trazem íntima conexão entre eles, constituindo-se no preparo do corpo físico para a vida propriamente dita.

Assim podemos dizer que o feto é um indivíduo desde a sua concepção, pois, apesar de ser o fruto da união entre seus pais, possui material genético próprio, e, consequentemente, possui a sua individualidade, do ponto de vista material, assim como do ponto de vista espiritual.

Importante se faz  definir o que significa ser um indivíduo: “do ponto de vista ecológico, é a unidade que constitui uma população; do ponto vista da Psicologia, é um ser particular, diferente dos demais”.² Dessa forma, as mais variadas reações bioquímicas existentes no corpo físico em formação do indivíduo resultam, em última instancia, em um nascituro que traz uma história espiritual já vivenciada em suas vidas pregressas e abre-se a uma história atual, que se inicia no momento presente, com repercussões em suas vidas futuras.

Quanto ao embrião e o feto serem considerados indivíduos, com material genético próprio, a revista Nature³, de 27 de agosto de 1998, publicou um artigo interessante do Dr.  Andrew Mellor, médico imunologista, do Instituto de Medicina Molecular e Genética da Faculdade de Medicina da Geórgia, nos Estados Unidos, que detectou a produção, por parte do embrião, de uma enzima denominada indoleamina 2,3 dioxigenase (IDO), que participa na complexa tarefa de minimizar a ação do sistema imunológico de defesa da mãe contra ele próprio, durante o período da gravidez, pela inibição e supressão do aminoácido triptofano, produzido pelo imunologia materna. Dessa forma, poderá a gestação ser conduzida a termo, pois a produção dessa enzima pelo embrião, e mais tarde pelo feto, evita que eles não sejam vistos como um corpo estranho, pelo sistema imunológico de defesa da mãe.

Por essa razão, pela produção da IDO, em especial, dois materiais genéticos diferentes, o da mãe e o do filho, podem conviver em harmonia durante 40 semanas. E isso vem reforçar, cientificamente, o quanto a Benemerência Divina, através de seus colaboradores espirituais engajados em coordenar o processo reencarnatório, fornece-nos material corpóreo indispensável para a preservação da vida.

Cita, o Dr. Andrew Mellor, nessa publicação, que “este mecanismo de defesa do embrião e do feto indica que eles são seres à parte, possuem patrimônio genético exclusivo, e consequentemente têm direito à Vida.” Ocorre, então, um acordo íntimo entre mãe e filho, até o final da gestação, para que a criança venha à luz e prossiga, dando continuidade ao seu aprendizado pessoal.

Referências:

  1. KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Segunda Parte, cap. VII. Da volta do Espírito ao mundo corporal, pergunta 344. 93º edição. Ed. FEB.
  2. ASSIS, Cristiane Ribeiro. Gestação: encontro entre almas. O feto como indivíduo. 4ª edição. Ed. FE.
  3. Nature 394, 831 (1998). Immunology. Fetal fascination https://doi.org/10.1038/29647
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