Coluna Científica

Personalidade e religiosidade/ espiritualidade (R/E)

Personality and religiousness/spirituality (R/E)

LETÍCIA OLIVEIRA ALMINHANA¹, ALEXANDER MOREIRA-ALMEIDA1

¹ Universidade Federal de Juiz de Fora.

Recebido: 30/9/2008 – Aceito: 4/12/2008

 

Resumo

Contexto: Embora existam muitos estudos relacionando o contexto religioso com a saúde física e mental, há poucas pesquisas sobre a interface entre religiosidade/espiritualidade (R/E) e personalidade. Objetivos: O objetivo principal foi revisar as evidências empíricas de investigações sobre a relação entre religiosidade, espiritualidade e personalidade. Métodos: Foi realizado um levantamento da produção acadêmica por meio das bases de dados virtuais: PubMed e PsychInfo, com artigos indexados até janeiro de 2008 e utilizando as combinações: “personality and spiritu*” e “perso- nality and religio*” Além disso, foram pesquisados os artigos presentes em uma metanálise sobre o tema. Resultados: Alta Religiosidade está associada a baixo Psicoticismo e a alta Amabilidade e Conscienciosidade. Conscienciosidade em adolescentes pode ser um preditor significante para a maior religiosidade na adultez jovem. E a dimensão de Reli- giosidade é mais provável candidata a residir além dos cinco grandes fatores de personalidade. Conclusão: A crença em uma dimensão de Religiosidade, em uma realidade transcendente ou em um Deus pessoal, em alguns casos, parece não possuir correspondências entre quaisquer dos cinco fatores de personalidade. Isso parece indicar que a R/E seja um potencial sexto fator de personalidade que não está presente nos modelos de personalidade atuais.

Alminhana LO, Moreira-Almeida A / Rev Psiq Clín. 2009;36(4):153-61

Palavras-chave: Personalidade, religiosidade/espiritualidade, psicoticismo, amabilidade e conscienciosidade.


Abstract

Background: Although there are many studies linking the religious context with fisical and mental health, there is little research on the interface between religiousness/spirituality and personality. Objectives: The main goal was to review the empirical research on the relationship between religiosity, spirituality and personality. Methods: A survey of the academic production through virtual databases: PubMed and PsychInfo, published until January of 2008 and using the combinations: “personality and spiritu*” and “personality and religio*” was conducted, in addition to articles presented in a meta-analysis about the subject. Results: High Religiousness is associated with low Psychoticism and high Agreeableness and Conscientiousness. Conscientiousness in adolescents can be a significant predictor for the higher religiosity in the early adulthood. And the dimension of Religiosity seems to be a potentially candidate to be beyond the Big Five. Discussion: The belief in a dimension of Religiosity, in a transcendent reality or in a personal God, in some cases, does not seem to show associations between any of the five factors of personality. This can indicate that the R/E is a potential sixth factor of personality that is not present in the current models of personality.

Alminhana LO, Moreira-Almeida A / Rev Psiq Clín. 2009;36(4):153-61

Keywords: Personality, religiosity/spirituality, psychoticism, agreeableness and conscientiousness.

Introdução

A personalidade tem sido estudada pela psicologia, no Ocidente, desde o século XIX1. Contudo os aspectos ligados à religiosidade/espiritualidade (R/E) foram pouco explorados ou até mesmo patologizados por algumas teorias de personalidade e pela psicologia e psiquiatria como um todo1,2. Entretanto, atualmente, a relação entre R/E e saúde foi examinada em publicação que revisou mais de 1.200 estudos realizados ao longo do século XX: a The handbook of religion and health4. Nele, os autores afirmam que a religião continua tendo um papel significativo na vida das pessoas, mesmo depois de importantes avanços em áreas como educa- ção, psicologia e medicina. A exemplo disso, estudos mostram que as crenças e as práticas religiosas são estratégias eficientes de muitos pacientes para lidar com as doenças; 80% dos estudos revisados por Koenig et al.4 apontam para relações positivas entre religiosidade e bem-estar. Estudos prospectivos, semiexperimentais e experimentais, sugerem que atividades religiosas e/ou espirituais levam à redução dos sintomas de depressão e que psicoterapias seculares e de orientação religiosa apresentam a mesma efetividade4.

Nesse sentido, recentemente os fenômenos relacio- nados à esfera religiosa e espiritual do comportamento humano foram incluídos em classificações como o Ma- nual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais3,5 e, também, a Organização Mundial da Saúde incluiu um domínio denominado religiosidade, espiritualidade e crenças pessoais em seu instrumento de avaliação de qualidade de vida, o WHOQOL6. Além disso, há muitos estudos que relacionam o contexto religioso com a saúde física e mental, embora existam poucas pesquisas sobre a interface entre R/E e personalidade7-9.

Atualmente, pesquisadores de diversas áreas come- çam a ver a R/E como área de crescente potencial para a teoria e a pesquisa em personalidade10. E, diante disso, este artigo objetiva revisar as evidências empíricas de investigações sobre a relação entre religiosidade, espi- ritualidade e personalidade.

Método

Foi realizado um levantamento da produção acadêmica por meio das seguintes bases de dados virtuais: PubMed e PsychInfo, com artigos indexados até janeiro de 2008. As pesquisas em tais fontes de dados foram realizadas com as combinações: “personality and spiritu*” e “per- sonality and religio*”; e foram encontrados 530 artigos no PubMed e 350 na PsychInfo. Os artigos foram sele- cionados a partir de seus títulos, quando estes incluíam o estudo da personalidade e R/E, e, depois, dos resumos, entre os quais foram incluídos apenas aqueles que fa- ziam revisões sobre a relação entre R/E e personalidade e que apresentavam resultados com dados originais. Além disso, foram  pesquisados  os  artigos  presentes em uma metanálise sobre o tema11 e foram analisadas as referências bibliográficas dos artigos obtidos, com o objetivo de encontrar outros cujo tema fosse relevante para o conteúdo abordado na presente revisão.

Resultados

Nas últimas décadas, a fim de investigar as relações entre personalidade e religiosidade/espiritualidade, muitos pesquisadores utilizaram as taxonomias de traços de personalidade descritas em dois grandes modelos10,11. O primeiro é conhecido como “Três Grandes” (Big Three) fatores ou P-E-N de Hans Eysenck; o segundo é o modelo dos “Cinco Grandes” (Big Five) ou Modelo de Cinco Fatores, que foi impulsionado pelas pesquisas léxicas de Cattel1,11.

De acordo com Hall et al.1, o modelo de Hans Ey- senck apresenta dois aspectos centrais para o estudo da personalidade: um descritivo, taxonômico e biológico, responsável pelas diferenças individuais e fundamentais da personalidade; outro causal, que resulta da aprendi- zagem e do ambiente.

No modelo de Hans Eysenck, Psicoticismo é o fator associado a egocentrismo, frieza, agressividade, impes- soalidade, impulsividade, falta de empatia, criatividade, obstinação e antissociabilidade; Extroversão associa-se a sociabilidade, vitalidade, atividade, assertividade, busca de sensações, dominância; Neuroticismo está ligado a características como ansiedade, depressão, sentimentos de culpa, baixa autoestima, tensão, irracio- nalidade, timidez, tristeza e emotividade12. A partir dessa teoria, foram desenvolvidos posteriormente o Eysenck Personality Inventory (EPI), que avalia a introversão e o neuroticismo, e o Eysenck Personality Questionnaire (EPQ), que inclui o psicoticismo1.

O segundo modelo, dos Cinco Grandes fatores de personalidade ou Big Five, teve como base o trabalho de R. B. Cattell, que pode ser considerado seu “pai intelectual”1. Suas análises fatoriais da personalidade utilizaram a chamada “hipótese léxica”, que consistia em colher informações a partir de expressões encontradas na linguagem natural das pessoas, encontrando em tor- no de 16 fatores que descreviam a personalidade13,14.

Utilizando método semelhante ao de Cattell, alguns estudos posteriores analisaram a estrutura da perso- nalidade e chegaram a apenas cinco fatores que eram obtidos com confiabilidade1,13,15. A nomenclatura de cada fator utilizada no manual do Inventário de Personalidade NEO versão brasileira, revisado (NEO PI-R), original- mente desenvolvido por Costa e McCrae15, apresenta: Extroversão, Neuroticismo, Abertura à Experiência, Conscienciosidade e Amabilidade.

Extroversão e Neuroticismo correspondem aos fatores E e N da escala de H. Eysenck1,16. Abertura à Experiência está associada à flexibilidade de pensamento, à fantasia e à imaginação, à abertura para novas experiências e in- teresses culturais14. Conscienciosidade refere-se ao senso

de contenção, ao sentido prático, à responsabilidade, ao zelo, à disciplina, à honestidade, à engenhosidade, à cautela, à organização e à persistência14,17. Amabilidade está ligada a atitudes e a comportamentos pró-sociais, a características como altruísmo, cuidado, amor, apoio emocional, docilidade, generosidade e lealdade14,17. Conscienciosidade e Amabilidade correspondem a polos opostos à escala de psicoticismo de Eysenck10,11,15,16.

R/E e os Três Grandes fatores da personalidade (PEN)

Teoricamente, as hipóteses de Michael Eysenck18 sobre o modelo dos Três Grandes fatores de personalidade afirmam que extroversão e psicoticismo possuem associações negativas com religiosidade, enquanto neuroticismo apresentaria associações positivas. Nesse sentido, uma metanálise de 12 estudos sobre R/E e os Cinco Grandes fatores de personalidade afirma que, em várias culturas e denominações religiosas, convergem para a resultante associação entre religiosidade e baixo psicoticismo11,19-21.

Contudo, é importante ressaltar nestes estudos qual dimensão religiosa está sendo estudada. A dimen- são mais utilizada na presente revisão é a “orientação religiosa” proposta por Gordon Allport22, psicólogo de Harvard que também estudou a personalidade. De acor- do com ele, a orientação religiosa de uma pessoa pode ser Extrínseca ou Intrínseca. A religiosidade extrínseca está associada a comportamentos religiosos que visam a benefícios exteriores, de status, segurança e distração, em que a pessoa se volta ao sagrado ou a Deus, mas sem desapegar-se do self. Por outro lado, a religiosidade intrínseca está associada a um sentimento de significado último da vida, em que a pessoa busca harmonizar suas necessidades e interesses às suas crenças, esforçando-se por internalizá-las e segui-las completamente22. Como diz Allport, ao estabelecer uma comparação entre as duas orientações: “os extrínsecos usam sua religião enquanto os intrínsecos a vivenciam” 23.

Utilizando essa diferenciação, Maltby24 encontrou resultados significativos que apresentaram associações negativas entre religiosidade e psicoticismo. O estudo aplicou a Escala Modificada de Orientação Religiosa (GORSUCH e VENABLE, 1983 – Age-Universal, Escala I – E – Intrínseca-Extrínseca) e o Questionário de Perso- nalidade de Eysenck (EPQR – A – R) em duas amostras de estudantes universitários da Irlanda (n = 172) e da Inglaterra (n = 213). Nos resultados, a orientação reli- giosa intríseca, mas não a extrínseca, esteve associada negativamente a psicoticismo24.

Michael Eysenck18 apresenta três alternativas para explicar a consistente relação negativa entre psicoticis- mo e religiosidade: a primeira seria que pessoas com baixo psicoticismo seriam mais atraídas para a religião, possuindo mais atitudes positivas relacionadas a esta do que pessoas com alto psicoticismo; a segunda explicação seria o oposto, ou seja, pessoas que adotam atitudes e

práticas religiosas tendem a apresentar como resultado baixo psicoticismo e a última alternativa seria considerar que baixo psicoticismo e alta religiosidade são carac- terísticas socialmente desejáveis; logo, espera-se que pessoas com altos índices de sociabilidade apresentem menos psicoticismo e mais religiosidade.

Com relação a isso, McCullough et al.10 consideram que, embora os pesquisadores tenham sido bem- sucedidos em descobrir uma correlação básica entre religiosidade e personalidade, estando as medidas de uma relacionadas às medidas da outra, isso não explica por que tais medidas estão relacionadas. Sendo assim, as duas primeiras alternativas de explicação de Michael Eysenck18 carecem de mais estudos longitudinais para que se saiba a direção dessa associação.

A terceira hipótese de Michael Eysenck18 para expli- car a relação negativa entre psicoticismo e religiosidade foi examinada por Lewis21, em dois estudos com o intuito de observar se essa relação estaria “contaminada” pela expectativa social. No primeiro estudo, mesmo contro- lando para os escores da Escala de Mentira, as únicas correlações significativas encontradas foram a associa- ção negativa entre psicoticismo e religiosidade e a asso- ciação positiva entre psicoticismo e obsessividade21.

No segundo estudo, a aplicação dos instrumentos ocorreu em dois tempos: no primeiro momento os sujeitos responderam aos questionários sob condições normais, mas no segundo, eles foram conectados a um “detector de mentira” (bogus pipeline). Os resultados não apresentaram diferenças significativas entre os escores obtidos sob condições normais e sob a segunda condição, com o “detector de mentira”21. A conclusão da revisão foi de que os dois estudos sustentam que a associação entre religiosidade e traços de personalidade de obsessividade e de psicoticismo não estão em função da expectativa ou desejabilidade social21.

Hills et al.25 utilizaram o Religious Life Inventory, incluindo escalas que mediam as dimensões de religio- sidade intrínseca, extrínseca e busca (quest – busca reli- giosa/espiritual) e o EPP (Eysenck Personality Profiler), para avaliar os traços de personalidade. Sua amostra foi de 400 estudantes universitários (110 homens e 290 mulheres). Os resultados não encontraram associações significativas entre extroversão e religiosidade. Contudo, neuroticismo esteve associado positivamente com religio- sidade extrínseca e busca e não apresentou associações com religiosidade intrínseca e com as variáveis com- portamentais de frequência à igreja e oração pessoal25. Psicoticismo esteve associado negativamente a todas as variáveis religiosas, comportamentais e psicométricas, sendo todas as associações de magnitude similares, embora a relacionada à religiosidade extrínseca seja a mais fraca25. Também foi observado que as relações entre psicoticismo e religiosidade não podem ser atribuídas a diferenças unicamente de gênero (no caso o masculino), sendo, então, a associação negativa com psicoticismo uma característica geral da religiosidade.

As observações mais importantes do estudo são de que sentimento de culpa está associado a cada uma das orientações religiosas, constituindo-se como um forte preditor de religiosidades intrínseca e de busca; de que os intrínsecos parecem ser mais felizes, mais dogmáticos, não agressivos e independentes; de que o comportamento religioso está associado com todos os fatores de maior ordem do PEN Eysenckiano (Psicoti- cismo, Extroversão e Neuroticismo), em contraste com os achados anteriores que afirmavam que o psicoticismo era o único preditor mais evidente de religiosidade25.

Dessa forma, a análise dos dados deste estudo sus- tenta a concepção de que as crenças religiosas estão associadas a sentimentos de culpa, como se observa em Freud e em Pratt25 ao tratarem da natureza da religião. No entanto, os resultados não apoiam a visão de que indivíduos religiosos são, por outro lado, neuróticos, o que também afirmava Freud. Ao contrário, segundo os autores, os intrínsecos tendem a ser mais felizes e independentes25.

Resumindo, os estudos que relacionam R/E e os Três Grandes fatores da personalidade convergem para uma associação negativa entre religiosidade e psicoticismo11,18,24,25, que não é explicada pela desejabi- lidade social21, pelas diferenças de gênero25.

R/E e os Cinco Grandes fatores da personalidade (Big Five)

A revisão sistemática com metanálise de 13 estudos sobre religiosidade e os cinco fatores de personalidade, realizada por Saroglou11, analisou diferentes dimensões de religiosidade. As religiosidades geral/intrínseca e aberta-madura estiveram correlacionadas, principal- mente, com Amabilidade e Conscienciosidade (igual a baixo psicoticismo), conforme esperado pelo autor. De acordo com Saroglou11, a religião está relacionada com os cinco fatores de personalidade, mas essa relação depende claramente da dimensão de religiosidade que é medida. Para ele, os futuros artigos deveriam permitir que as metanálises investigassem o impacto de variáveis moderadoras, como idade, gênero, denominação e po- pulações religiosas gerais versus específicas.

McDonald e Taylor16 conduziram um estudo com

1.129 estudantes universitários de Psicologia, no Canadá, e obtiveram resultados semelhantes àqueles apontados por Saroglou11. Uma das limitações do estudo, apontada pelos autores, é o fato de que estudantes universitários podem não constituir uma amostra apropriada para estu- dar as relações entre personalidade e religiosidade16.

McCullough et al.10 afirmam que a maioria dos estu- dos sobre personalidade e religiosidade são transversais e com instrumentos de autoavaliação. Segundo eles, as pesquisas longitudinais mais amplas, bem como estudos que avaliem de forma mais completa a inter-relação da personalidade e dos fatores sociais na formação da religiosidade, serão passos lógicos no sentido de dar seguimento à visão de Allport para uma psicologia da personalidade que ofereça uma luz à dimensão religiosa do funcionamento humano.

A única pesquisa longitudinal encontrada nesta revisão é o estudo conduzido por McCullough et al.10, que examinou a associação entre os Cinco Grandes fatores de personalidade e religiosidade, sob a pers- pectiva do desenvolvimento. Os autores analisaram 492 adolescentes superdotados (QI = ou > 135), entre 12 e 18 anos, por um período de 19 anos. Os adolescentes foram avaliados em intervalos entre 5 e 10 anos, e seus pais e professores também preencheram uma escala de personalidade relacionada à sua percepção sobre cada participante. Em seus resultados, os adolescentes que foram apontados pelos pais e professores como mais abertos à experiência se tornaram mais religiosos na adultez, o que contraria as expectativas, pois a Abertura à Experiência está relacionada à tendência a considerar novas ideias e a questionar valores e crenças. Contudo, como os temas ligados à R/E são amplos no que tange a ideias, crenças e valores, é possível que a Abertura à Experiência possa predispor os adolescentes a conside- rarem as dimensões de R/E da vida10.

Os resultados obtidos após o controle para as corre- lações entre os Cinco Grandes por meio de regressões multivariadas apontam para a Conscienciosidade em adolescentes como o único preditor significativo para a maior religiosidade na adultez jovem10. Segundo os autores, isso parece sugerir processos de desenvol- vimento em que a Conscienciosidade seria uma ten- dência biológica e a religiosidade, uma característica adaptativa que pessoas com alta conscienciosidade estariam propensas a adotar. Ainda assim, a associação Conscienciosidade-religiosidade parece atingir os ado- lescentes em geral, sem diferenças entre seus graus de educação religiosa10.

Além disso, a pesquisa também observou que ado- lescentes que mostravam maior instabilidade emocional estavam mais sujeitos a adotar, na maioridade, níveis de religiosidade semelhantes aos de seus pais. Para os autores, isso pode significar que o adolescente emocio- nalmente instável pode adotar a religião dos pais como forma de manter o bem-estar afetivo e evitar conflitos com a família10.

Em resumo, os resultados encontrados nos estudos apresentam associações positivas entre alta Conscien- ciosidade, alta Amabilidade e religiosidade10,11,15,16; e a Conscienciosidade aparece como preditor de religio- sidade na adultez, independentemente da educação religiosa recebida10.

R/E para além dos Cinco Grandes

De acordo com Saucier e Goldberg26, um corpo conside- rável de pesquisas tem demonstrado o poder de síntese dos cinco amplos fatores de personalidade, tanto em autodescrições quanto em descrições feitas por outros.

No entanto, alguns pesquisadores têm sugerido que um grande número de conteúdo descritivo da personalida- de não está incluído de forma adequada no Modelo de Cinco Fatores26.

No estudo conduzido por Hills et al.25, as análises fatoriais entre dimensões de religiosidade e fatores de personalidade preditivos observaram que as di- mensões de religiosidade formavam um discreto e substancial segundo fator que não estava associado com nenhum dos fatores primários ou de maior ordem de personalidade. Assim sendo, os autores afirmam que as diferentes dimensões de religiosidade parecem possuir mais em comum umas com as outras do que com quaisquer dos fatores primários de personalidade. Sendo assim, segundo Hills et al.25, pode-se concluir que ser religioso está associado com algum aspecto da personalidade que não está representado nos 21 fatores primários do EPP (Eysenck Personality Profiler) ou que a “consciência espiritual” é, ela mesma, uma diferen- ça individual da personalidade que está faltando nos modelos mais tradicionais. Esta última possibilidade parece ser consistente com a sugestão de Piedmont27, de que a transcendência espiritual pode ser um fator adicional que não está incluído no modelo de cinco fatores da personalidade.

Outro estudo realizado por Kosek28, na Polônia, in- vestigou a utilidade do Modelo de Cinco Fatores como um instrumento interpretativo para avaliar constructos religiosos. Segundo o autor, os resultados sugerem que uma predisposição pessoal em direção aos outros (alta Amabilidade e Conscienciosidade) está associada a uma crença positiva em relação a Deus28. As análises de regressões múltiplas sugeriram que os cinco domínios de personalidade explicaram 4% da variedade na quali- dade da relação com Deus de uma pessoa, enquanto a orientação religiosa explicou 35% dessa variedade. Este estudo é uma adaptação do paradigma de Piedmont e Hendrick28 e é o primeiro a trazer essas questões ao contexto polonês.

Na Bélgica, Duriez et al.17    realizaram um estu- do com estudantes de Psicologia (n = 335) com o objetivo de analisar as relações entre duas dimen- sões de religiosidade (Inclusão versus Exclusão de Transcendência e Literalismo versus Simbolismo) e dois modelos de personalidade: os Cinco Grandes e o Identity Style   Inventory17. Nos resultados, Duriez et al.17 afirmam que não há nenhum tipo de relação entre quaisquer dos cinco fatores de personalidade e a crença ou não em uma realidade transcendente ou um Deus pessoal. Os resultados apontados por eles estão em concordância com os achados de Piedmont27 e Paunonem e Jackson29, os quais sus- tentam que a religiosidade e a espiritualidade estão além dos fatores representados no Modelo de Cinco Fatores de personalidade.

Nesse sentido, o estudo conduzido por Saucier e Goldberg26, da Universidade de Oregon, identificou 53

grupos de adjetivos que pareciam não estar inseridos na classificação dos Cinco Grandes e os administrou em uma amostra de 694 adultos, 57% mulheres, com idade média de 50 anos. Utilizando como ponto de corte uma relação de 0,3 para adjetivos serem considerados independentes dos Cinco Grandes, apresentou os seguintes resultados: Religiosidade, Valência Negativa e vários aspectos da Atratividade26. Assim sendo, segundo os autores, tais re- sultados apontam para a necessidade de suplementação dos Cinco Grandes, caso se procure entender de modo mais abrangente os traços de personalidade.

De modo ainda mais explícito, a análise de Pauno- nen e Jackson29, com relação à questão – “O que está além dos Cinco Grandes?” –, lança a resposta – “Muita coisa!”. Esta conclusão está apoiada no exame, feito pelos autores, dos dados oferecidos por Saucier e Goldberg26, apresentados acima. Paunonen e Jackson29 consideraram os critérios de Saucier e Goldberg26 muito liberais e decidiram reavaliar os 53 grupos de adjetivos que pareciam não estar inseridos na classi- ficação dos Cinco Grandes, analisados anteriormente por Saucier e Goldberg26. Eles escolheram, então, como ponto de corte uma relação de 0,2 para adjetivos independentes dos Cinco Grandes, a qual considera- ram mais razoável, porém ainda liberal. Os resultados apresentaram 26 grupos considerados relativamente independentes dos Cinco Grandes. Destes, foram en- contradas nove dimensões bipolares, e, de todas elas, aquelas que identificavam o grupo “Religioso, devoto, venerado” apresentaram as correlações mais baixas com os Cinco Grandes.

Conforme Paunonen e Jackson29, esse resultado confirma a afirmação de Saucier e Goldberg26 de que a dimensão de religiosidade é a mais provável candidata a residir além dos cinco grandes fatores tradicionais de personalidade.

Espiritualidade como um sexto fator de personalidade

Piedmont27 apresenta três critérios empíricos que seriam necessários para demonstrar que as variáveis espirituais representam algo diferente das dimensões que abrangem o Modelo de Cinco Fatores: 1º. A nova dimensão de personalidade precisa mostrar ser indepen- dente das cinco já existentes; 2º. Precisa estar num nível de generalidade e abrangência comparável às outras cinco, assumindo muitas facetas menores; 3º. Ela deve ser recuperável, sobrevivendo às múltiplas fontes de informação, ou seja, por meio de fontes de classificação e de medidas.

A pesquisa de Piedmont27 foi realizada no intuito de desenvolver uma escala que pudesse conter medidas que capturassem aspectos do indivíduo que sejam independentes das qualidades contidas no Modelo de Cinco Fatores de personalidade. O instrumento é denominado de “Escala de Transcendência Espiritual”, sendo   “transcendência   espiritual”   definida   como:

a) Um senso de conectividade com toda a raça humana;
b) Universalidade, crença na natureza unitiva de toda a vida; c) Rezar, ter sentimentos de alegria e contenta- mento que resultam de encontros pessoais com uma realidade

A pesquisa utilizou duas amostras: uma de desenvol- vimento, com 277 mulheres e 102 homens, e outra de validação, que contou com 265 mulheres e 91 homens; cada participante indicou duas pessoas que o conheciam há, no mínimo, três meses para responder a escalas sobre eles. Os resultados confirmaram que a Trans- cendência Espiritual mostrou-se: 1º. Independente das medidas do Modelo de Cinco Fatores; 2º. Evidenciou boa convergência interobservada; 3º. Conseguiu predizer um amplo alcance de resultados psicológicos salientes, mesmo depois do controle dos efeitos preditivos dos Cinco Fatores da personalidade27. Desse modo, segun- do Piedmont27, a Transcendência Espiritual representa uma dimensão distinta no funcionamento psicológico e deve ser considerada uma potencial sexta dimensão da personalidade.

Na mesma direção, McDonald30 buscou explorar a existência de uma estrutura fatorial significante que fundamentasse a espiritualidade e a associação desta com a personalidade (Modelo   de   Cinco   Fatores). Os resultados apontaram para a existência de cinco dimensões robustas de espiritualidade: 1. Orientação Cognitiva em relação à Espiritualidade (inclui crenças, atitudes e percepções a respeito da natureza e da impor- tância da espiritualidade); 2. Dimensão Experiencial/ Fenomenológica da Espiritualidade (experiências que são descritas como espirituais, religiosas, místicas, de pico, transcendentais e transpessoais); 3. Bem-Estar Existencial (sensação de sentido e propósito para a existência e a percepção de si mesmo como sendo competente e capaz de lidar com as dificuldades da vida e com as limitações da existência humana);

  1. Crenças Paranormais (crenças em precognição, psicocinese, espiritualismo, fantasmas e aparições);
  2. Religiosidade (expressão da espiritualidade por meio de significados e símbolos religiosos). Para medir essas dimensões, foi validado o Inventário de Expressões de Espiritualidade30.

As associações entre o Inventário de Expressões de Espiritualidade e o NEO PI-R apresentaram altas corre- lações entre a Dimensão Fenomenológica/Existencial e Abertura para a Experiência, seguida por Extroversão; Crenças Paranormais também obtiveram notáveis asso- ciações com Abertura; Religiosidade esteve associada mais claramente com Amabilidade e Conscienciosidade e menos com Abertura; Orientação Cognitiva em relação à Espiritualidade esteve relacionada com Amabilidade e Conscienciosidade, seguida por Abertura e Extroversão e Bem-Estar Existencial, apresentou correlações nega- tivas com Neuroticismo, enquanto obteve correlações significantemente positivas com Conscienciosidade, Extroversão e Amabilidade30.

No entanto, segundo McDonald30, apesar dessas as- sociações, os elementos mais importantes da espirituali- dade apresentam-se conceitualmente únicos, apontando para a possibilidade de existirem grandes aspectos da personalidade que não estão representados no Modelo de Cinco Fatores.

Finalmente, Cloninger et al.31 desenvolveram o Modelo Psicobiológico de Temperamento e Caráter. De acordo com os autores, o Modelo de Cinco Fa- tores não captura algumas dimensões consideradas indispensáveis para a compreensão de transtornos de personalidade e os aspectos ligados à Autoatualização, descrita na Psicologia Humanista e na Psicologia Transpessoal. Além disso, as análises fatorial e esta- tística não são capazes de definir a estrutura causal subjacente à variabilidade biológica e social dos traços de personalidade31. Assim sendo, os autores propõem um modelo alternativo aos Cinco Grandes, que considera os determinantes biológicos e sociais subjacentes, incluindo quatro dimensões de tempera- mento e três dimensões de caráter. As dimensões de temperamento, de base hereditária, são: Busca pelo novo; Evitação de sofrimento; Dependência de Recom- pensas e Persistência.

As dimensões de caráter, ligadas a questões sociais, ao autoconceito e ao aprendizado são: Autodiretividade (relacionada à autonomia e à presença ou ausência de transtorno mental); Cooperatividade (relacionada ao sentimento de fazer parte da humanidade como um todo) e Autotranscendência (relacionada à sensação de fazer parte do universo como um todo e à espiritualida- de). A Autotranscendência, especificamente, é consi- derada um processo de desenvolvimento relacionado à aceitação da espiritualidade, à identificação com aquilo que está além do self individual e, em última instância, à perda das fronteiras entre o self e os outros por meio da identificação com o conceito de um Deus imanente, que está em tudo31. Os autores subdividem a Auto- transcendência em cinco estágios: 1. Esquecimento do self vs. egocentrismo; 2. Identificação transpessoal vs. individualismo; 3. Aceitação espiritual vs. materialismo racional31; 4. Iluminação vs. objetividade e 5. Idealismo vs. praticidade32.

Cloninger et al.31 desenvolveram o Inventário de Temperamento e Caráter (ITC), o qual também auxilia no diagnóstico diferencial. Segundo os autores, baixos escores nas escalas de caráter, como Autodiretividade, estão associados com irresponsabilidade, baixo contro- le de impulsos e transtornos de personalidade; baixa Cooperatividade é associada a déficits de empatia, hostilidade, agressividade e oportunismo, e baixos escores de Autotranscendência estão associados a comportamentos materialistas com pouca ou nenhuma preocupação com ideais como bondade e harmonia universal33.

Tabela de associações e resultados encontrados            

  • Alta Religiosidade associada a:
  1. baixo Psicoticismo
  2. alta Amabilidade e Conscienciosidade10,11,16,19,20,24,25,28
  • Orientação Religiosa Intrínseca associada a baixo psicoticismo20
  • Alto Neuroticismo associado a:
  1. Baixa Religiosidade Intrínseca
  2. Alta Religiosidade Extrínseca
  3. Busca
  • Culpa – forte preditor de Religiosidade Intrínseca e Busca
  • Intrínsecos parecem ser mais felizes, possuir menos riscos, ser dogmáticos, não agressivos e independentes25
  • A religião está relacionada com os fatores de personalidade, mas essa relação depende claramente da dimensão de religiosidade que é medida11,20
  • Conscienciosidade em adolescentes – único preditor significante para a maior religiosidade na adultez jovem
  • Adolescentes com maior instabilidade emocional – mais sujeitos a adotar níveis de religiosidade semelhantes aos de seus pais10
  • A dimensão de Religiosidade é a mais provável candidata a residir além dos cinco grandes fatores de personalidade26,29

Discussão

Como afirmam McCullough et al.10, os estudos transver- sais podem apenas sugerir associações entre personalida- de e R/E, mas não explicam o porquê de tais associações. Apenas os resultados do estudo longitudinal conduzido por McCullough et al.10 apresentam dados mais conclusi- vos a esse respeito, apontando para a primeira explicação de Michael Eysenck18, em que a alta conscienciosidade é preditora de religiosidade em adultos.

Por outro lado, além de afirmar que há relações entre personalidade e religiosidade, é imprescindível apontar para a dimensão de religiosidade que está sendo asso- ciada a algum fator de personalidade. Maltby24, Maltby et al.19, Hills et al.25 e Koseck28 diferenciam as dimen- sões de religiosidade, encontrando resultados como a associação negativa entre a religiosidade intrínseca (RI) e o psicoticismo (P), mas não entre P e religiosidade extrínseca (RE)19; alta RE e busca associadas a altos índices de neuroticismo (N), bem como baixa RI a alto N25; e RI e busca associadas positivamente à Amabilida- de e Conscienciosidade (A e C)28. Kosek28 ainda afirma que pessoas com RI e busca possuem maior A e C, em outras palavras, de acordo com o autor, pessoas com uma crença positiva em relação a Deus apresentam predisposição pessoal em direção aos outros.

Um dos resultados que mais chamam a atenção nesta revisão parece ser o fato de que a religiosidade mostra mais relações entre suas diferentes dimensões

(intrínseca, extrínseca e busca) do que com os fatores de personalidade investigados (PEN ou Cinco Grandes). Além disso, Saucier e Goldberg26 e Paunonen e Jackson29 apresentam resultados que corroboram com Hills et al.25, apontando para as baixas correlações entre as dimensões de religiosidade e os Cinco Grandes. Segundo os autores, a religiosidade é a mais provável candidata a residir além dos Cinco Grandes fatores de personalidade.

Assim sendo, diante da provável necessidade de se analisar e investigar melhor a religiosidade ou a espiritualidade como dimensões da personalidade, as pesquisas de Piedmont27, McDonald30 e Cloninger et al.31 podem estar apresentando resultados importantes para a maior compreensão dessas dimensões.

Nesse sentido, ao analisar as dimensões de caráter (Autodiretividade; Cooperatividade e Autotranscendên- cia) propostas por Cloninger et al.31, pode-se pensar se não apresentam alguma semelhança com a Transcendência Espiritual de Piedmont27. Isso porque Cloninger et al.31 relacionam as três dimensões de caráter à maturação de autoconceito, ou seja, quando a pessoa se sente: 1º. Um indivíduo autônomo; 2º. Parte da humanidade como um todo e 3º. Parte do universo como um todo. Para Piedmont27, Transcendência Espiritual pode ser definida como: 1º. Um senso de conectividade com toda a raça humana; 2º. Universalidade, crença na natureza unitiva de toda a vida; 3º. Rezar, ter sentimentos de alegria e contentamento que resultam de encontros pessoais com uma realidade transcendente.

Além disso, ao especificar algumas das cinco dimen- sões de espiritualidade, McDonald30 também apresenta características semelhantes aos outros dois27,31. Entre outras, McDonald30 inclui: sentido e propósito para a existência e a percepção de si mesmo como sendo com- petente e capaz de lidar com as dificuldades da vida e com as limitações da existência humana e expressão da espiritualidade por meio de significados religiosos.

Conclusão

Os principais achados desta revisão foram: Alta Religiosi- dade associada a baixo P e altas A e C10,11,16,19,20,24,25,28. Essa relação entre religiosidade e personalidade depende cla- ramente da dimensão de religiosidade que é medida11,20. Assim, observa-se que RI está associada a baixo P20; Baixa RI, alta RE e Busca estão associadas a alto N; e o sentimento de culpa aparece como forte preditor de RI e Busca, embora os intrínsecos pareçam ser mais felizes, ser dogmáticos, não agressivos e independentes25.

O único estudo longitudinal encontrado apresenta C em adolescentes como único preditor significante para a maior religiosidade na adultez jovem10. Isso sugere que a hipótese de Michael Eysenck18 esteja correta ao afirmar que pessoas com baixo índice de P (ou alto índice de A e C) seriam mais atraídas para a religião. McCullough et al.10 também concluem, a partir de seus resultados, que adolescentes com maior instabilidade emocional estão mais sujeitos a adotar níveis de religiosidade se- melhantes aos de seus pais. Finalmente, a associação positiva entre A e C, segundo Kosek28, significa que uma predisposição pessoal em direção aos outros está associada a uma crença positiva em relação a Deus.

No   entanto,   embora   tenham   sido   encontradas

associações significativas entre religiosidade e perso- nalidade, alguns autores sustentam que a crença em uma dimensão de Religiosidade, em uma realidade transcendente ou em um Deus pessoal parece não pos- suir correspondências entre quaisquer dos cinco fatores de personalidade11,17,19,27,29. Dessa forma, a dimensão de Religiosidade é apresentada como a mais provável candidata a residir além dos cinco grandes fatores de personalidade26,29 e a Transcendência Espiritual, segundo Piedmont27, pode ser considerada uma sexta dimensão da personalidade. Por fim, essa revisão também analisou duas importantes contribuições para a avaliação e para o diagnóstico diferencial entre psicopatologia e R/E: as Cinco Dimensões de Espiritualidade e o Inventário de Expressões de Espiritualidade, desenvolvidos no estudo de McDonald30, e as Três Dimensões de Caráter e o Inventário de Temperamento e Caráter, desenvolvidos por Cloninger et al.31.

As diretrizes para futuras pesquisas são:

  • avaliar a R/E como uma possível dimensão de personalidade;
  • desenvolver um modelo que possa reunir as semelhanças encontradas entre os estudos de Piedmont27, McDonald30 e Cloninger et 31;
  • conduzir um estudo longitudinal que possa avaliar a relação entre R/E e

 

Finalmente, ao que tudo indica, o estudo das rela- ções entre personalidade e R/E tem aumentado e sua investigação possui relevância, principalmente porque muitos dados apontam para sua relação com o bem-estar e a saúde.

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